Trotamundos no Circo

“E o circo…

…que represento é a metáfora da minha própria trajetória nessa vida…

É esse o espírito do artista que incorporei: o mambembe em sua essência.

Aquele único ser capaz de desprender-se das referências e

“Optar por viver no não pertencimento…”

Patrícia Polayne

Quase por acaso…

Assim surgiu o segundo movimento do Trotamundos: registrar o lançamento do cd o “Circo Singular”, da cantora sergipana Patrícia Polayne. Ainda vivíamos o processo pós-ressaca/euforia com o fim do Projeto “Quem Faz a Foto?” e início da exposição na Sociedade Semear. Ainda levantávamos as impressões sobre o resultado do projeto, dávamos entrevistas, enfim, mantínhamos a chama acesa…

Marcelinho participava nesse momento de um curso ministrado pelo MinC (Ministério da Cultura) e oferecido pela Secretaria de Estado da Cultura. Em um ‘coffee break’ do curso, soube por Elma Santos, produtora de Polayne na época, da articulação para o lançamento do seu primeiro cd. De imediato, veio à tona a vontade de registrar esse show, segundo a ótica do Trotamundos, saindo do formato simples e usual da fotografia e com o compromisso de apresentar um produto final que pudesse contar essa história de maneira fluida e completa… Começo, meio e fim…

A produtora executiva de Polayne, Melissa Warwick, era a responsável pela parte referente ao registro audiovisual do show. Em princípio, Melissa hesitou. Depois, conhecendo o coletivo, explicando a nossa ideia sobre o registro, a pluralidade de olhares e infinitas possibilidades, incorporou o Trotamundos ao evento.

“A adversidade me empurrou pro circo e ele me acolheu.”

Patrícia Polayne

A princípio, o show seria realizado no Parque da Sementeira, mas no último instante o local foi negado, passando para o Circo Estoril… O elemento cultural perfeito! Cores, texturas, cheiros, sons… Tudo estava lá!

O circo estava montado… No entanto, trapezistas, equilibristas, palhaços, mágicos e o incrível “Globo da Morte” deram lugar ao baixo, guitarra, violões, bateria e percussão… A magia do picadeiro tinha outro tom: A música de Patrícia Polayne!

O nosso objetivo era dar uma leitura coletiva do show, fazer uma cobertura fotográfica diferente, um registro hegemônico do espetáculo. Uma imagem pode impressionar e até mesmo comover, mas estávamos à procura de romper essa barreira… Queríamos contar a história por trás do “Circo Singular”, mostrar o que só nós vivemos!

Chegamos ao Estoril logo pela manhã, registrando tudo que estava à nossa volta. Os elementos circenses se misturando à parafernália ‘high tech’ de áudio e vídeo deram um tempero a mais. Nesse primeiro momento, fotografamos texturas, cores, elementos cênicos e musicais… Seguimos pela tarde com a passagem de som, entrando pela noite, registrando tudo antes mesmo da abertura dos portões para o público. Os bastidores, o aquecimento, maquiagem, alongamento, nada passou desapercebido…

“Oh misterioso rio

Fundo caudaloso feito uma mulher

E a poesia (vai me arrastar até o mar)

E a navegação (vai me arrastar)

O sonho que sonhei é outro (vai me arrastar até o mar)

A vida que criei é minha (vai me arrastar)…”

Patrícia Polayne

Um bom público compareceu ao circo e mesmo tendo que esperar por mais de uma hora e meia para o início do espetáculo num calor infernal, recebeu Polayne de forma calorosa.

Acolhida por um cenário naturalmente maravilhoso e com um belíssimo figurino assinado por Altair Santo, Patrícia Polayne entrou no picadeiro do ‘Estoril’ e desfilou um repertório coeso e equilibrado, concentrado em seu primeiro cd. Uma atmosfera sensível, mágica e musicalmente precisa tomava conta do picadeiro, criando vários momentos emocionantes durante a noite.

O registro era fiel, música após música, um frenesi de cliques e olhares dava fluidez à narrativa. A mistura, a busca do entrosamento e da coexistência, definitivamente, mostrou nossa força: o Trotamundos passava pela sua primeira prova de fogo e mostrava o poder de ser um coletivo!

Sem dúvida um show inesquecível, um marco para a música sergipana, cantada em verso e prosa por uma das maiores artistas dos nossos dias e registrada por nossas lentes!

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